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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Quando os Filhos Crescem

Há um momento, na vida dos pais, em que eles se sentem órfãos. Os filhos, dizem eles, crescem de um momento para outro. 
É paradoxal. Quando nascem pequenos e frágeis os primeiros meses parecem intermináveis. Pai e mãe se revezam à cata de respostas aos seus estímulos nos rostinhos miúdos. 
Desejam que eles sorriam, que agitem os bracinhos, que sentem, fiquem em pé, andem, tudo é uma ansiosa expectativa. 
Então, um dia, de repente, ei-los adolescentes. Não mais os passeios com os pais nos finais de semana nem férias compartilhadas em família. 
Agora tudo é feito com os amigos. 
Olham para o rosto do menino e surpreendem os primeiros fios de barba, como a mãe passarinho descobre a penugem nas asas dos filhotes. A menina se transforma em mulher. É o momento dos vôos para além do ninho doméstico. 
É o momento em que os pais se perguntam: onde estão aqueles bebês com cheirinho de leite e fralda molhada? Onde estão os brinquedos do faz-de-conta, os chás de nada, os heróis invencíveis que tudo conseguia, em suas batalhas imaginárias contra o mal? 
Os passeios, já não são tão sonoros. A cantoria infantil e os eternos pedidos de sorvetes, doces, pipoca foram substituídos pelo mutismo ou a conversa animada com os amigos com que compartilham sua alegria. 

Os pais se sentem órfãos de filhos. Seus pequenos cresceram sem que eles possam precisar quando. Ontem eram crianças trazendo a bola para ser consertada.
A impressão é que dormiram crianças e despertaram adolescentes, como num passe de mágica. Ontem estavam no banco de trás do automóvel, hoje estão ao volante, dando aulas de correta condução no trânsito. 
 É o momento da saudade dos dias que se foram, tão rápidos. É o momento em que sentimos que poderíamos ter deixado de lado alguns afazeres sempre contínuos e brincado mais com eles, rolando na grama, jogando futebol. 
 Deveríamos tê-los ouvido mais, deliciando-nos com o relato de suas conquistas e aventuras, suas primeiras decepções, seus medos. Tê-los levado mais ao cinema, desfrutando das suas vibrações ante o heroísmo dos galãs da tela. 
 Tempos que não retornam a não ser na figura dos netos que os compete esperar. 
 Pais, estejamos mais com seus filhos. A existência é breve e as oportunidades preciosas. 


Não economizem abraços, carinhos, atenções, aproveitem bastante esses momentos enquanto são crianças.
São esses momentos que as crianças vão guardar, auxiliem-nos a andar pelos caminhos da dignidade, para que sejam justos; homens e mulheres de bem no futuro que não tardará a chegar. A criança criada com carinho aprende a ser afetuosa. 

Façam a diferença na vida deles.
Deus os abençoe, boas férias!


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